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26/03/2026

Áudio no carro passa por transição com avanço do smartphone e manutenção do rádio

Áudio no carro passa por transição com avanço do smartphone e manutenção do rádio
26/03/2026

O uso do smartphone como uma importante fonte de áudio nos carros é indicado por um novo levantamento da Futuresource Consulting, chamado Audio Tech Lifestyles 2025. Os dados mostram que mais da metade dos motoristas utiliza conexões com o celular para ouvir conteúdo durante os deslocamentos, algo que acende um alerta na indústria automotiva. A análise foi filtrada para motoristas, avaliando diferentes formas de escuta, como rádio (AM/FM/DAB e online), streaming embarcado, CDs e conexões via smartphone. Os dados também mostram uma insatisfação dos usuários quanto à dificuldade de encontrar o rádio em sistemas multimídia cada vez mais complexos.

O resultado mostra que aproximadamente 51% dos respondentes recorrem a tecnologias como Bluetooth, Apple CarPlay ou Android Auto como principal fonte sonora no carro. Entre os mais jovens, especialmente das gerações Z e Millennials, essa participação é ainda maior, alcançando cerca de 55%. Já entre os motoristas com 58 anos ou mais, o uso dessas conexões cai de forma significativa, refletindo a preferência por soluções mais tradicionais.

Nesse tipo de levantamento, o rádio tradicional segue como a segunda principal opção de áudio no carro, com cerca de 26% de participação geral, mas também pode ser considerado como um dos principais meios de escuta, já que o consumo de mídia via conexões costuma ser distribuído entre diferentes plataformas e aplicativos. E, no recorte geracional, entre os mais velhos, o índice de participação do rádio sobe para aproximadamente 40%, enquanto entre os mais jovens recua para perto de 10%. Em mercados como Alemanha e Japão, o meio tem forte presença, embora conteúdos falados, como podcasts, estejam ganhando espaço.

Quando levantamentos consideram as plataformas utilizadas, como rádio AM/FM, Spotify e YouTube, entre outros, caso do Share of Ear, da Edison Research, a liderança do rádio fica mais evidente, conforme já destacado recentemente pelo tudoradio.com. Já o levantamento da Futuresource não divide o consumo de conteúdo originado do smartphone.

A música continua liderando o consumo de áudio via streaming, representando 58% do total, mas formatos falados, como podcasts e audiolivros, já respondem por cerca de 16% da escuta. E, em termos de evolução, os dados mostram que o consumo via smartphone passou de 48% em 2023 para os atuais 51%, enquanto o rádio segue resiliente em consumo, com pouca variação em sua participação. Já o uso de CDs segue em queda contínua, acompanhando as transformações tecnológicas do setor.

O quadro pode ser um pouco diferente no Brasil, pela idade da frota automotiva, mas o crescimento da oferta de aparelhos multimidia adaptados para veículos mais antigos que permite esses espelhamentos deixa o setor atento à presença do FM nesses aparelhos e aos hábitos de uso.

O levantamento também abordou a experiência do usuário com os sistemas de áudio automotivo. Entre os principais pontos de insatisfação está a dificuldade de acesso ao rádio em menus complexos, além de promessas exageradas de integração com aplicativos e modos de som considerados pouco práticos no dia a dia.

Segundo a Futuresource, os motoristas valorizam sistemas previsíveis, que retomem automaticamente a reprodução após interrupções e mantenham níveis de volume consistentes entre diferentes conteúdos. A consultoria também destaca uma tendência regulatória que favorece o retorno de controles físicos para funções essenciais, o que reforça a importância de acessos diretos ao áudio e ao controle climático.

Como recomendação às montadoras, o estudo aponta a necessidade de manter o rádio acessível de forma rápida e intuitiva, priorizar comandos de voz durante a condução e oferecer recursos que permitam retomar facilmente o conteúdo reproduzido ao reiniciar o veículo.

Um levantamento recente da XPeri colabora com esse cenário: 62% dos consumidores afirmam que não considerariam adquirir um carro sem rádio. E esse cenário também é confirmado por uma pesquisa recente divulgada pela National Association of Broadcasters (NAB), nos Estados Unidos, que revelou que 96% dos consumidores americanos consideram importante ter rádios AM/FM disponíveis em seus novos veículos. O levantamento mostra que esse recurso é valorizado por aspectos como gratuidade, acesso rápido e facilidade de uso, consolidando a relevância do meio mesmo em tempos de conectividade e plataformas digitais.

Os dados da Futuresource são de um levantamento realizado no ano passado com cerca de 10 mil entrevistados em países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão e China. O estudo considerou apenas usuários com algum tipo de dispositivo de áudio.

Além de mobilizar o setor automotivo mostrando a sua importância para os usuários, conforme a pesquisa aponta na insatisfação dos consumidores, o rádio tem algumas oportunidades e desafios dentro desse cenário. Entre as vantagens, além do desejo dos motoristas e caronas em acessar o conteúdo de rádio, tecnologias como “rádio híbrido automotivo” (que amplia a experiência nesse ambiente ao juntar, de forma intuitiva, dados conectados e sinal de rádio via dial) e o uso de aplicativos de rádio em ambientes como CarPlay e Android Auto (caso de agregadores como o app Tudo Rádio) podem auxiliar na manutenção ou ampliação dos números de consumo para as emissoras.

Outro ponto importante a se considerar é a corrida das Big Techs, como Apple e Google, que começam a desenhar a integração nativa com o rádio FM (e digital terrestre) dentro das interfaces do Android Auto e do CarPlay, conforme acompanhado pelo tudoradio.com. Isso resolveria a experiência que hoje não é fluida para o FM quando o usuário opta pelo espelhamento de seu smartphone por meio desses sistemas, tendo o acesso ao streaming de rádio como única forma de manter o uso fluido dentro desse ambiente.

Já os desafios são o convencimento, por parte das montadoras, em adotar essas tecnologias como “rádio híbrido” (algo que está em processo) e entender a importância de deixar o rádio FM acessível em seus sistemas (como desejam os consumidores). Já para o rádio via streaming, os maiores desafios são explicar aos ouvintes a possibilidade de conexão ao áudio online das emissoras nesses ambientes digitais e a necessidade de uma rede de dados móveis que atenda essa demanda — algo que, no Brasil, ainda é um entrave, considerando principalmente trechos rodoviários que não passam de forma contínua por áreas urbanas.

Fonte: Futuresource e Tudo Rádio.

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