{"id":2965,"date":"2016-10-31T09:16:54","date_gmt":"2016-10-31T11:16:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sertsc.org.br\/site\/?p=2965"},"modified":"2016-10-31T09:16:54","modified_gmt":"2016-10-31T11:16:54","slug":"tv-digital-faltam-informacoes-e-criterios-comuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/tv-digital-faltam-informacoes-e-criterios-comuns\/","title":{"rendered":"TV digital: faltam informa\u00e7\u00f5es e crit\u00e9rios comuns"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3ximo coordenador do Gired (grupo de digitaliza\u00e7\u00e3o da TV digital), que assume a partir do dia 4 no lugar do conselheiro da Anatel Rodrigo Zerbone, ter\u00e1 pelo menos uma tarefa urgente a resolver: recuperar a confian\u00e7a, de parte a parte, para a tomada das decis\u00f5es necess\u00e1rias. O processo de desligamento do sinal da TV anal\u00f3gica em Bras\u00edlia, que deveria ter ocorrido esta semana mas ficou para o dia 17 de novembro, evidenciou um problema grave do esfor\u00e7o de desligamento, contudo. N\u00e3o \u00e9 um dificuldade log\u00edstica, ou falta de recursos, ou problemas de interfer\u00eancia. O maior problema \u00e9 a falta de dados sobre a situa\u00e7\u00e3o real da radiodifus\u00e3o no Brasil. E se o problema persistir, o desligamento em S\u00e3o Paulo tende a se tornar muito mais cr\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de d\u00e9cadas, por irresponsabilidade, conveni\u00eancia ou falta de urg\u00eancia, o Poder P\u00fablico abdicou de levantar, com precis\u00e3o, como est\u00e1 o funcionamento do sistema de radiodifus\u00e3o no Brasil. Existe um levantamento geral feito pelo IBGE sobre o n\u00famero de domic\u00edlios com TVs, mas qualquer coisa al\u00e9m disso depende de informa\u00e7\u00f5es que chegam do mercado e que s\u00e3o imprecisas ou discrepantes por conta das metodologias utilizadas. Pouco se sabe sobre o grau de atualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos televisores instalados (se s\u00e3o ou n\u00e3o capazes de receber sinais digitais), dos transmissores, sobre a quantidade de pessoas que recebem os sinais exclusivamente via sat\u00e9lite, sobre as pessoas que recebem os sinais por alternativas de TV por assinatura, por pirataria ou simplesmente que n\u00e3o recebem sinal nenhum. N\u00e3o existe nenhum levantamento efetivo por parte do governo sobre a qualidade dos sinais anal\u00f3gicos e digitais de radiodifus\u00e3o, se eles est\u00e3o chegando de fato \u00e0 popula\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios, se chegam com qualidade ruim (com chuviscos, fantasmas) ou sobre as \u00e1reas de sombra. \u00c9 fato que ter esse n\u00edvel de precis\u00e3o em um pa\u00eds das dimens\u00f5es do Brasil \u00e9 complicado mesmo para servi\u00e7os que t\u00eam obriga\u00e7\u00f5es de cobertura estabelecidos em contrato ou regulamento, como a telefonia m\u00f3vel, mas partindo-se do princ\u00edpio de que a radiodifus\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o de imenso interesse p\u00fablico, seria fundamental ter esses dados (para n\u00e3o falar em dados econ\u00f4micos ou societ\u00e1rios do setor, que simplesmente n\u00e3o existem de forma sistematizada e atualizada).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No processo de libera\u00e7\u00e3o da faixa de 700 MHz, vendida pelo governo \u00e0s teles por mais de R$ 9 bilh\u00f5es em 2014, foi necess\u00e1rio estabelecer uma pol\u00edtica de realoca\u00e7\u00e3o dos sinais de TV que estavam operando nessa parcela do espectro. E em muitos casos essa realoca\u00e7\u00e3o passa pelo desligamento do sinal anal\u00f3gico, induzindo a popula\u00e7\u00e3o a passar para a TV digital. Como parte dessa pol\u00edtica, as empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es est\u00e3o distribuindo milh\u00f5es de kits de recep\u00e7\u00e3o digital \u00e0s fam\u00edlias do Cadastro \u00danico por meio de uma empresa por elas administrada, a EAD (Seja Digital). Tamb\u00e9m \u00e9 a EAD que se tornou respons\u00e1vel pela coleta de informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas que permitissem aferir o grau de aptid\u00e3o dos domic\u00edlios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de receber o sinal de TV digital. E \u00e9 ai que come\u00e7a a confus\u00e3o. Radiodifusores e EAD partem de premissas diferentes, citam n\u00fameros diferentes e usam crit\u00e9rios diferentes para defender suas posi\u00e7\u00f5es, e o governo, sem ter qualquer outro dado, precisa arbitrar sofrendo press\u00f5es de ambos os lados. Os radiodifusores alegam, por exemplo, que o mesmo instituto contratado pela EAD (Ibope) para aferir o grau de digitaliza\u00e7\u00e3o tem uma pesquisa semelhante vendida h\u00e1 muito tempo aos radiodifusores (antes mesmo do processo de desligamento come\u00e7ar) e que d\u00e1 sete pontos percentuais a menos em termos de domic\u00edlios capazes de receber o sinal digital. As teles, ao irem a campo para saber por que as pessoas n\u00e3o est\u00e3o buscando os kits de recep\u00e7\u00e3o, constata que o sinal de TV digital simplesmente n\u00e3o chega a muito domic\u00edlios, pois h\u00e1 falhas de cobertura expressivas em muitas redes de TV, e sem o sinal ningu\u00e9m se motiva a mudar para a TV digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio n\u00famero estabelecido para o desligamento (93%) \u00e9 arbitr\u00e1rio, estabelecido sem nenhum crit\u00e9rio, tanto que aceitou-se que 90% seria razo\u00e1vel, pela margem de erro, e em Rio Verde desligou-se com 85%. Se n\u00e3o bastasse esse problema, os crit\u00e9rios de an\u00e1lise dos dados, ora contando televisores do tipo tela fina como digitais, ora contando como anal\u00f3gicos, ora incluindo domic\u00edlios com TV por assinatura como aptos, ora considerando apenas os domic\u00edlios com TV a cabo, tamb\u00e9m levam a dados divergentes. O impasse em Bras\u00edlia se deveu a isso. Em S\u00e3o Paulo, se n\u00e3o houver cuidado, o problema ser\u00e1 muito pior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 evidente que a disputa pelas informa\u00e7\u00f5es \u00e9 apenas um pretexto para que cada lado defenda o seu neg\u00f3cio. As emissoras de TV temem perder audi\u00eancia com a digitaliza\u00e7\u00e3o, porque hoje elas mesmas admitem que a cobertura digital \u00e9 pelo menos 20% inferior \u00e0 cobertura anal\u00f3gica. O processo de digitaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 custoso para as emissoras, que precisam atualizar seus equipamentos de capta\u00e7\u00e3o de imagens e transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 as teles, que gastaram R$ 9 bilh\u00f5es comprando o espectro, querem garantir que a casa estar\u00e1 desocupada a tempo de iniciarem os seus projetos de implanta\u00e7\u00e3o da rede 4G na faixa de 700 MHz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os dois est\u00e1 o Gired, que tem desempenhado um papel importante na media\u00e7\u00e3o desses conflitos. At\u00e9 aqui, com todas as dificuldades, o Gired est\u00e1 garantindo, juntamente com o trabalho operacional da EAD e com o esfor\u00e7o de divulga\u00e7\u00e3o dos radiodifusores, um processo de desligamento da TV anal\u00f3gica mais ou menos dentro do cronograma. Mas os problemas tendem a aumentar em 2017. E a fluidez do processo depende, sobretudo, de informa\u00e7\u00f5es e crit\u00e9rios em que todos confiem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Tela.Viva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pr\u00f3ximo coordenador do Gired (grupo de digitaliza\u00e7\u00e3o da TV&hellip;<\/p>\n<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/tv-digital-faltam-informacoes-e-criterios-comuns\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2966,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-2965","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}