{"id":17362,"date":"2022-01-11T10:21:08","date_gmt":"2022-01-11T13:21:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sertsc.org.br\/site\/?p=17362"},"modified":"2022-01-11T10:21:08","modified_gmt":"2022-01-11T13:21:08","slug":"marketing-responsavel-quando-o-produto-e-mais-barato-quem-paga-a-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/marketing-responsavel-quando-o-produto-e-mais-barato-quem-paga-a-conta\/","title":{"rendered":"Marketing respons\u00e1vel: quando o produto \u00e9 mais barato, quem paga a conta?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Em vez de enfatizar a mensagem do produto mais acess\u00edvel, o marketing deveria valorizar uma proposta, promover seu valor agregado e justificar o pre\u00e7o que o cliente deve pagar.<\/strong><\/p>\n<p>Mais r\u00e1pido, em maior quantidade e cada vez mais barato. Essas mensagens de marketing t\u00eam sido o pilar da nossa sociedade de consumo por d\u00e9cadas, e trouxeram muito sucesso comercial \u00e0s empresas. Mas e quanto \u00e0 justi\u00e7a social e ao progresso? Ser\u00e1 que de alguma forma essas mensagens lan\u00e7aram as bases que s\u00e3o urgentemente necess\u00e1rias para tratar dos desafios ambientais e sociais que estamos enfrentando agora?<\/p>\n<p>Pode parecer controverso confrontar o tema dos pre\u00e7os mais baixos justamente quando uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 sofrendo redu\u00e7\u00e3o salarial, por causa da infla\u00e7\u00e3o e de outros efeitos negativos da pandemia. Mas todos sabemos que teremos que pagar mais caro por energia e alimentos sustent\u00e1veis. Por isso, \u00e9 essencial questionar toda nossa rela\u00e7\u00e3o com o pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m devemos questionar como o marketing, nos \u00faltimos 50 anos, tem usado o artif\u00edcio do &#8220;pre\u00e7o baixo&#8221; para diminuir nossos valores, afetar o tecido social e prejudicar o meio ambiente. E por que o tema do verdadeiro pre\u00e7o se tornou cada vez mais opaco para o p\u00fablico em geral?<\/p>\n<p>O Santo Graal dos pre\u00e7os baixos \u00e9 a \u00fanica miss\u00e3o do marketing?<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, nos convencemos de que tudo deve e precisa ser cada vez mais barato e acess\u00edvel, para que todos possam ter o que quiserem.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 o momento de repensar a equa\u00e7\u00e3o custo-valor-pre\u00e7o, de olhar para o valor real das coisas e servi\u00e7os, de educar as pessoas e colocar essas quest\u00f5es no centro do marketing.<\/p>\n<p>Precisamos saber quanto custa um produto em mat\u00e9rias-primas, em tempo de trabalho, em transporte e distribui\u00e7\u00e3o. Quanto ele custa para as pessoas que o produzem e se elas podem ganhar a vida nos prestando esse servi\u00e7o. E quanto ele traz em termos de qualidade, satisfa\u00e7\u00e3o real, durabilidade e prazer para o consumidor. Somente ap\u00f3s considerar todos esses pontos, podemos calcular um pre\u00e7o de venda realista.<\/p>\n<p>Felizmente, algumas marcas com abordagens \u00e9ticas est\u00e3o explicando por que seus produtos devem ser vendidos a um determinado n\u00edvel de pre\u00e7o. Outras est\u00e3o desafiando o status quo, exigindo um pre\u00e7o justo durante todo o ano. Esses s\u00e3o caminhos interessantes.<\/p>\n<p>O valor dos bens, tempo e habilidades n\u00e3o \u00e9 apenas simb\u00f3lico ou emocional. Para alguns servi\u00e7os que s\u00e3o fornecidos gratuitamente, como Google ou Facebook, o pr\u00f3prio consumidor se torna o produto, pela minera\u00e7\u00e3o de dados. Mas, quando algo \u00e9 barato ou gratuito, quem paga as contas ambientais e sociais?<\/p>\n<p>O marketing respons\u00e1vel deve come\u00e7ar a esclarecer, explicar, ensinar e reensinar o valor, e incentivar o respeito pelo trabalho dos outros. \u00c9 um desafio, mas devemos enfrentar a realidade do custo dos bens, do tempo e das habilidades. Esse \u00e9 um desafio valioso e importante para os profissionais de comunica\u00e7\u00e3o e marketing de hoje.<\/p>\n<p>At\u00e9 onde essa ingenuidade coletiva, essa cegueira geral, essa grande ilus\u00e3o em que acreditamos vai nos levar? Acabamos ficando com ofertas degradadas, c\u00f3pias mal-feitas e mat\u00e9rias-primas cada vez mais baratas e de menor valor. Al\u00e9m disso, esses produtos v\u00eam de dist\u00e2ncias cada vez maiores, causando danos ambientais cada vez piores ao transport\u00e1-los. Isso leva a uma espiral em queda: as empresas pagam seus funcion\u00e1rios e fornecedores cada vez menos, mas devem, por sua vez, tentar fazer produtos cada vez mais baratos para manter seus mercados.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que esse ciclo danoso gera a fortuna de poucos e a mis\u00e9ria para muitos. Ent\u00e3o, por que optamos pela autodestrui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Produzir e vender a um pre\u00e7o mais baixo significa tornar as coisas mais acess\u00edveis. Mas a que custo?<\/p>\n<p>O que podemos dizer de uma sociedade onde os agricultores n\u00e3o t\u00eam o suficiente para viver, por que n\u00e3o pagamos vinte centavos a mais por um litro de leite? O que podemos dizer das empresas que, sob o pretexto de modernidade, praticidade e pre\u00e7os baixos, destroem o valor humano ao impor os zero-hour contracts? Trata-se de um tipo de contrata\u00e7\u00e3o poss\u00edvel na Europa, em que o patr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 obrigado a estipular o n\u00famero m\u00ednimo de horas de trabalho ao empregado, fazendo com que ele esteja sempre dispon\u00edvel. E o que podemos dizer sobre o marketing do &#8220;mais barato&#8221;, a n\u00e3o ser que ele encarna o tipo de marketing de menor valor?<\/p>\n<p>O marketing deveria funcionar para valorizar uma proposta, promover seu valor agregado e justificar o pre\u00e7o que o cliente deve pagar.<\/p>\n<p>Muitos de n\u00f3s ficamos felizes em pagar um valor alto por marcas que nos fazem sonhar, mas ningu\u00e9m quer pagar o pre\u00e7o real dos produtos b\u00e1sicos, ou o valor justo para que nossos servi\u00e7os sejam devidamente remunerados. Isso porque queremos comprar e consumir mais do que realmente podemos pagar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-17363 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.sertsc.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Marketing-barato-1024x852.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"852\" \/><\/p>\n<p>Fonte:\u00a0 Epoca Neg\u00f3cios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em vez de enfatizar a mensagem do produto mais acess\u00edvel,&hellip;<\/p>\n<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/marketing-responsavel-quando-o-produto-e-mais-barato-quem-paga-a-conta\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17363,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33,3],"tags":[],"class_list":{"0":"post-17362","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17362\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}