{"id":14862,"date":"2021-03-15T10:19:16","date_gmt":"2021-03-15T13:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sertsc.org.br\/site\/?p=14862"},"modified":"2021-03-15T10:19:16","modified_gmt":"2021-03-15T13:19:16","slug":"historia-do-radio-acompanha-emancipacao-da-mulher-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/historia-do-radio-acompanha-emancipacao-da-mulher-no-brasil\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria do r\u00e1dio acompanha emancipa\u00e7\u00e3o da mulher no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ainda existe quem se surpreende em saber que Maria Beatriz Roquette-Pinto foi\u00a0 uma das primeiras primeiras locutoras do Brasil. Isto ocorreu na d\u00e9cada de 1920, ao mesmo tempo em que seu pai Edgard Roquette-Pinto realizava as primeiras transmiss\u00f5es oficiais com autoriza\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doutora em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, Juliana Cristina Gobbi Betti, conta que Maria Beatriz Roquette-Pinto, ainda menina, estreou na r\u00e1dio logo nas primeiras transmiss\u00f5es. \u201cA gente tem a mulher participando desde o in\u00edcio, ela foi, por exemplo, diretora de programa\u00e7\u00e3o, produtora, exerceu outros cargos e fun\u00e7\u00f5es para al\u00e9m do entretenimento\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autora da tese\u00a0<em>Informa\u00e7\u00e3o cr\u00edtico-emancipat\u00f3ria com perspectiva de g\u00eanero: os direitos das mulheres em programas radiof\u00f4nicos femininos<\/em>, apresentada recentemente na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), entende que a hist\u00f3ria da presen\u00e7a da mulher no r\u00e1dio \u00e9 muito ligada \u00e0 pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o dos direitos da mulher no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, apesar de j\u00e1 haver muitas mulheres jornalistas, \u00e0 \u00e9poca, as celebradas, e que acabaram virando a \u201ccara do r\u00e1dio\u201d, foram as que exerceram o \u2018papel\u2019 esperado das mulheres naqueles tempos: entretenimento. Carmem Miranda, Aracy de Almeida, Emilinha Borba s\u00e3o exemplos cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente tem que entender que nesse contexto da chegada do r\u00e1dio no Brasil, in\u00edcio dos anos 20, a mulher n\u00e3o era nem considerada efetivamente cidad\u00e3. Para trabalhar, ela precisava de autoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, pai ou irm\u00e3o. Havia lugares considerados prop\u00edcios para elas, e o ambiente de r\u00e1dio n\u00e3o era, definitivamente, um deles. Principalmente para as casadas\u201d, lembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Populariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado o momento de euforia com as primeiras transmiss\u00f5es, a presen\u00e7a das mulheres nas r\u00e1dios come\u00e7a a aumentar, junto com a populariza\u00e7\u00e3o do meio. E elas participam cada vez mais da programa\u00e7\u00e3o, essencialmente como apresentadoras e produtoras de programas femininos e infantis, segundo Juliana, que mapeou cerca de 40 programas entre as d\u00e9cadas de 1920 e 1970, para a pesquisa acad\u00eamica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsses programas em muitos aspectos eram inovadores porque tratavam dos direitos das mulheres, principalmente o direito \u00e0 instru\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o. Eram programas que traziam sim quest\u00f5es como receitas, dicas de beleza, moda, mas traziam tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade, maternidade, literatura\u201d, pontua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Programas conduzidos por mulheres protagonistas na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do r\u00e1dio e da luta por direitos b\u00e1sicos, como S\u00f4nia Veiga, Maria Muniz, Sarita Campos e tantas outras. Muitas vezes, dispondo de nomes art\u00edsticos e pseud\u00f4nimos como uma forma de autoprote\u00e7\u00e3o aos julgamentos da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anos de chumbo e redemocratiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na d\u00e9cada de 1970, com a ditadura militar, os programas com liberdade para explorar tem\u00e1ticas de interesse crescente por parte das mulheres, por \u00f3bvio, ficaram escassos. Mesmo no cen\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o t\u00e3o favor\u00e1vel, Juliana destaca o papel de uma, entre tantas figuras importantes: Daysi L\u00facidi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Polivalente, e com hist\u00f3ria pregressa nas artes e na pol\u00edtica fluminense, ela estreou, em 1.971, na R\u00e1dio Nacional, o \u201cAl\u00f4 Daysi\u201d, programa direcionado para donas de casa no Rio de Janeiro. Apesar das receitas e not\u00edcias sobre famosos, aparentemente inofensivas, ela n\u00e3o abria m\u00e3o de um quadro em que apresentava problemas da cidade e posterior cobran\u00e7a por solu\u00e7\u00f5es \u00e0s autoridades locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o, come\u00e7a um movimento muito forte de emissoras comunit\u00e1rias produzindo conte\u00fados ligados a organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e movimentos sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDa segunda metade dos anos 80 para frente v\u00e3o surgindo, localmente, programas que envolviam quest\u00f5es voltadas a trabalho, cidadania, meio ambiente, viol\u00eancia contra a mulher. Foi assim que surgiu o Viva Maria, por exemplo\u201d. Precursora da causa feminista no r\u00e1dio brasileiro, Mara R\u00e9gia era a voz \u00e0 frente do programa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Figura ic\u00f4nica, Mara sofreu em casa as viol\u00eancias da vers\u00e3o mais extremada do machismo \u2013 a misoginia \u2013 pelo pr\u00f3prio pai. Com ampla bagagem pedag\u00f3gica pelos anos atuando como professora, a tamb\u00e9m jornalista assumiu, naturalmente, posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a no empoderamento de brasileiras v\u00edtimas de viol\u00eancia. E ecoou suas mensagens pelas ondas do r\u00e1dio, dos grandes centros pol\u00edticos e econ\u00f4micos, como Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo aos rinc\u00f5es do pa\u00eds, atuando pela R\u00e1dio Nacional da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O longo e cont\u00ednuo processo de empoderamento da mulher na sociedade brasileira, especialmente no que diz respeito \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o financeira, abriu, enfim, os olhos das emissoras comerciais, que segundo a pesquisadora, passaram a se interessar, a partir dos anos 2000, pelo perfil da mulher empreendedora, com poder aquisitivo e autonomia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paran\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das maiores dificuldades de Juliana, ao longo da elabora\u00e7\u00e3o da tese, foi a escassez de registros hist\u00f3ricos fora do eixo Rio de Janeiro \u2013 S\u00e3o Paulo. Empecilho que n\u00e3o a impediu de destacar duas paranaenses com lugar cativo entre as pioneiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A R\u00e1dio Difusora de Ponta Grossa, atualmente Lagoa Dourada, foi a casa da primeira brasileira a atuar como DJ em uma emissora: Diva Ayres de Moraes. Apesar do lugar de destaque na hist\u00f3ria da radiodifus\u00e3o brasileira, basta colocar o nome de Diva no google para constatar a aus\u00eancia de registros sobre sua atua\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra emissora tradicional\u00edssima, paranaense, a R\u00e1dio Clube, abrigou a primeira locutora da hist\u00f3ria do estado, Alice Xavier, de 1.931 a 1.933.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTemos uma situa\u00e7\u00e3o bem mais confort\u00e1vel, as mulheres hoje ocupam cargos de dire\u00e7\u00e3o, tem mais reconhecimento da voz como profissionais do jornalismo. A informa\u00e7\u00e3o vinda da voz feminina tem a mesma credibilidade que a do homem hoje, superamos aquela necessidade de ter voz grave e empostada\u201d, opina a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, ainda h\u00e1 muita coisa a melhorar, e a luta por equipara\u00e7\u00e3o salarial e em quest\u00f5es que envolvem o trabalho dom\u00e9stico, maternidade, divis\u00e3o de tarefas fora do ambiente de trabalho, dupla, tripla jornada de trabalho que impedem profissionais capacitadas de progredirem nas carreiras, devem ser vistas como lutas da sociedade como um todo, e n\u00e3o s\u00f3 das mulheres. E o r\u00e1dio tem muito a contribuir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constata\u00e7\u00e3o mais importante com o intenso trabalho de pesquisa, ainda segundo a pesquisadora, \u00e9 que o r\u00e1dio segue tendo uma presen\u00e7a muito grande na vida das diferentes mulheres brasileiras, e um potencial enorme para seguir caminhando lado a lado na luta por direitos, que passa por espa\u00e7os institucionais mas depende tamb\u00e9m de conscientiza\u00e7\u00e3o, um vi\u00e9s educativo que faz parte do DNA do r\u00e1dio como meio de comunica\u00e7\u00e3o de massas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que eu tiro de considera\u00e7\u00f5es deste trabalho, especialmente, \u00e9 a import\u00e2ncia que o r\u00e1dio ainda tem na vida das mulheres. Tanto da mulher urbana, que escuta a r\u00e1dio enquanto dirige, vai pro trabalho, leva as crian\u00e7as na escola, quanto da mulher rural, do interior, com perfil de dona de casa ou n\u00e3o, que escuta o r\u00e1dio enquanto realiza os afazeres, como entretenimento ou fonte de informa\u00e7\u00e3o mesmo\u201d, reflete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reza um velho ditado, que \u201ca hist\u00f3ria s\u00e3o os fatos, mas tamb\u00e9m nossos relatos\u201d. Da\u00ed a import\u00e2ncia da pesquisa, do resgate hist\u00f3rico e da eterna busca e preserva\u00e7\u00e3o de nossas mem\u00f3rias enquanto sociedade. Para seguirmos evoluindo, sempre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: AERP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda existe quem se surpreende em saber que Maria Beatriz&hellip;<\/p>\n<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/historia-do-radio-acompanha-emancipacao-da-mulher-no-brasil\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":{"0":"post-14862","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-geral"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14862\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}