{"id":10842,"date":"2019-08-27T11:44:52","date_gmt":"2019-08-27T14:44:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sertsc.org.br\/site\/?p=10842"},"modified":"2019-08-27T11:44:52","modified_gmt":"2019-08-27T14:44:52","slug":"radiodifusores-buscam-apoio-das-prefeituras-para-digitalizar-o-brasil-profundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/radiodifusores-buscam-apoio-das-prefeituras-para-digitalizar-o-brasil-profundo\/","title":{"rendered":"Radiodifusores buscam apoio das prefeituras para digitalizar o Brasil profundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Abert (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Emissoras de R\u00e1dio e Televis\u00e3o) est\u00e1 preparando uma cartilha para as prefeituras, do chamado &#8220;Brasil profundo&#8221; para explicar o processo de digitaliza\u00e7\u00e3o dos sinais de televis\u00e3o. A ideia \u00e9 atrair os munic\u00edpios para ajudar a levar a TV digital \u00e0s cerca de 4 mil localidades de menor parte. &#8220;As prefeituras precisam entender que n\u00e3o h\u00e1 problema em apoiar essas iniciativas. Em muitas localidades a TV \u00e9 a \u00fanica fonte de not\u00edcias e de entretenimento. Isso deve ser levado em conta&#8221;, disse Camila Cintra, supervisora executiva da \u00e1rea de projetos de transmiss\u00e3o da TV Globo, l\u00edder do grupo de compartilhamento de infraestrutura da Abert e membro do grupo de discuss\u00e3o sobre o tema do F\u00f3rum SBTVD. Cintra participou de debate nesta segunda, 26, durante o SET Expo 2019, sobre o compartilhamento de infraestrutura de transmiss\u00e3o terrestre como o caminho para a digitaliza\u00e7\u00e3o do Brasil profundo, especialmente por meio de forma\u00e7\u00e3o de parcerias e desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es inovadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O compartilhamento de infraestrutura foi a forma encontrada no setor para chegar aos pequenos munic\u00edpios onde hoje existe cobertura anal\u00f3gica.\u00a0A proposta come\u00e7ou a ser aventada h\u00e1 cerca de dois anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cen\u00e1rio atual, as grandes cidades j\u00e1 entregaram \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a transforma\u00e7\u00e3o da TV anal\u00f3gica para a digital. Mas uma grande parte das esta\u00e7\u00f5es \u2013 aproximadamente 4 mil, localizadas principalmente em pequenos munic\u00edpios \u2013 passar\u00e3o por este processo apenas em 2023. Camila Cintra apresentou um panorama do momento e dos desafios que vem pela frente: &#8220;Dados de julho de 2019 indicam que nossa cobertura \u00e9 de 2,1 mil munic\u00edpios, o que representa cerca de 38% do pa\u00eds, chegando a 77% da popula\u00e7\u00e3o, com 85% de IPC. Significa que fizemos cerca de mil esta\u00e7\u00f5es em 12 anos. Agora, nosso grande desafio \u00e9 entregar outras 3,5 mil em quatro anos, at\u00e9 2023. Ou seja: seria tr\u00eas vezes a quantidade de esta\u00e7\u00f5es j\u00e1 estabelecidas em um ter\u00e7o do tempo, chegando assim a 62% de munic\u00edpios cobertos. Lembrando que, isso, com investimento reduzido&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela explica que, por conta desse projeto, foi necess\u00e1rio uma mobiliza\u00e7\u00e3o e uma mudan\u00e7a de mindset por parte dos envolvidos: &#8220;Sa\u00edmos desse cen\u00e1rio anal\u00f3gico, que era totalmente de concorr\u00eancia, para um movimento de parceria e colabora\u00e7\u00e3o, com a mobiliza\u00e7\u00e3o do setor no sentido dessa causa. E a\u00ed come\u00e7amos a criar grupos de discuss\u00e3o, como o da Abert, que \u00e9 formado por emissoras. Se hoje temos cases bem sucedidos para apresentar, \u00e9 por causa dessa uni\u00e3o&#8221;. E ela completa: &#8220;Estamos h\u00e1 dois anos provocando o mercado e j\u00e1 atuamos com uma economia de redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 80% do investimento. Colhemos bons resultados nesse per\u00edodo, o que prova que a uni\u00e3o do setor e o apoio das associa\u00e7\u00f5es regionais s\u00e3o pontos muito importantes. Agora, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 implantar e escalar esse modelo por meio de uma forte parceria entre emissoras e ind\u00fastria&#8221;. O compartilhamento que ela cita acontece entre at\u00e9 seis emissoras e, entre as empresas que entrariam nessa parceria, est\u00e3o emissoras como Bandeirantes, SBT, Globo, RBS TV, TV Cultura, Rede Pampa entre outras, e fornecedoras como Screen, Ideal Antenas Profissionais, SM Facilities, Teletronix e Hitachi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alberto Leonardo Penteado Botelho, engenheiro de projetos na LM Telecomunica\u00e7\u00f5es (consultoria especializada em radiodifus\u00e3o), apontou algumas dificuldades desse processo: &#8220;No Brasil profundo, ainda h\u00e1 muita desconfian\u00e7a por parte das prefeituras em investir em empresas privadas, especialmente nessa situa\u00e7\u00e3o de descapitaliza\u00e7\u00e3o das mesmas. Ainda assim, elas t\u00eam cooperado, disponibilizando espa\u00e7o, abrigo e torre. Trabalhar lado a lado das prefeituras \u00e9 um \u00f3timo caminho. Mas ainda \u00e9 bastante necess\u00e1rio adotar um novo modelo de neg\u00f3cio&#8221;. O executivo continua: &#8220;Nossa expectativa nesses munic\u00edpios \u00e9 apostar em caracter\u00edsticas de propaga\u00e7\u00e3o que possibilitem a simplifica\u00e7\u00e3o dos sistemas, com torres e abrigos de baixo custo e redu\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia, que j\u00e1 permitem a cobertura de uma \u00e1rea bem grande&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A representante da Abert no painel, em unanimidade com os demais palestrantes, concluiu que o compartilhamento \u00e9 o caminho, pois al\u00e9m de permitir a chegada ao objetivo final, que \u00e9 a digitaliza\u00e7\u00e3o do Brasil profundo, isso \u00e9 feito com economia de tempo e de custos. Para ela, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 uma mobiliza\u00e7\u00e3o regional do setor, isto \u00e9, com a uni\u00e3o de emissoras regionais em grupos menores. &#8220;Essas emissoras regionais devem engajar e chamar outras emissoras. A Abert entra como apoiadora, mas agora \u00e9 o momento dessas empresas colocarem a m\u00e3o na massa&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Frederico Rehme, coordenador e professor do curso de Engenharia El\u00e9trica e Engenharia de Energia da Universidade Positivo, lembrou que o momento \u00e9 de crise, mas que o trabalho deve ser visto como investimento: &#8220;Ningu\u00e9m quer gastar, mas esse \u00e9 um meio para ganhar. Estamos falando de cidades que, muitas vezes, n\u00e3o t\u00eam sinal de telefone. N\u00e3o adianta falar em 4 ou 5G. O buraco \u00e9 mais embaixo. A TV tem papel social. \u00c9 por meio dela que a popula\u00e7\u00e3o tem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o sobre atualidades e sa\u00fade. Ningu\u00e9m que n\u00e3o tem TV sabe da atual epidemia de sarampo, por exemplo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cases de compartilhamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esta\u00e7\u00e3o Tiradentes (MG) \u00e9 um dos cases bem sucedidos que Camila citou anteriormente, cujo in\u00edcio do trabalho se deu no Grupo de Trabalho, no \u00e2mbito da Abert. Alexandre Vila, gerente de transmiss\u00e3o da TV Bandeirantes, conta que o objetivo do projeto era uma esta\u00e7\u00e3o low cost compartilhada: &#8220;Come\u00e7amos ent\u00e3o a busca por parceiros, a defini\u00e7\u00e3o do local e o desenvolvimento dos fornecedores. As emissoras da cidade tinham o interesse de compartilhar, a fase de investimento \u00e9 dif\u00edcil. At\u00e9 julho de 2018 n\u00e3o havia empresa transmissora l\u00e1. O processo caminhou ainda melhor quando tivemos apoio da prefeitura. Trabalhamos com a Screen, para validar o transmissor, e com a Ideal, para a torre. Depois de homologado o transmissor, o tempo de instala\u00e7\u00e3o foi de quatro dias. \u00c9 um exemplo de pioneirismo e que mostra que algu\u00e9m tem de ir l\u00e1 e fazer para dar certo. Em tr\u00eas meses, j\u00e1 estava tudo funcionando perfeitamente&#8221;. A esta\u00e7\u00e3o piloto de Tiradentes comporta at\u00e9 seis emissoras e foi estabelecida por meio de uma parceria entre Band, Globo e SBT com a Screen e a Ideal Antenas Profissionais. &#8220;Nosso desenvolvimento depende das inova\u00e7\u00f5es. N\u00e3o d\u00e1 para ter medo de errar. Sabemos que o momento \u00e9 de crise, mas \u00e9 um investimento&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto de Tiradentes foi o primeiro desenvolvido dentro desse grupo da Abert e j\u00e1 est\u00e1 em funcionamento h\u00e1 um ano, com penetra\u00e7\u00e3o de sinal positiva e agilidade de manuten\u00e7\u00e3o como diferencial. &#8220;Essa parceria entre as emissoras foi algo que me surpreendeu positivamente. A ajuda foi enorme entre uma e outra, com SBT ajudando Globo e vice-versa. Entendemos que isso tem que ser algo mais presente no mercado. Podemos ser concorrentes na programa\u00e7\u00e3o, mas na engenharia n\u00e3o. Nessa \u00e1rea, temos que nos unir. O objetivo de todos \u00e9 o mesmo: n\u00e3o deixar a TV acabar&#8221;, opinou Andr\u00e9 Bertoldo, coordenador t\u00e9cnico da TV Alterosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros cases bem sucedidos citados no painel foram Siqueira Campos (PR), cidade com pouco mais de 20 mil habitantes, onde foi usada a infra da TV anal\u00f3gica, e Nova Prata (RS), com cerca de 25,5 mil habitantes. Sobre a digitaliza\u00e7\u00e3o do Brasil profundo, Jos\u00e9 Frederico Rehme, que atuou diretamente nesses processos, diz: &#8220;Compartilhar pode at\u00e9 ser ruim, mas \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o. Isso vale tamb\u00e9m para t\u00f3picos como torre baixa e pot\u00eancia baixa, que podem afetar a cobertura: \u00e9 ruim, mas \u00e9 melhor do que n\u00e3o ter. Como diria um tio meu, o \u00f3timo \u00e9 inimigo do bom&#8221;. Rehme completou dizendo que, se tratando de cidades que nem tinham nenhum tipo de cobertura, &#8220;o que vier \u00e9 lucro&#8221;. Para o professor, a miss\u00e3o \u00e9 desenvolver solu\u00e7\u00f5es inovadoras \u2013 &#8220;esse \u00e9 o meio, e n\u00e3o o foco&#8221; \u2013 al\u00e9m de fortalecer parcerias \u2013 &#8220;por si s\u00f3, as empresas n\u00e3o d\u00e3o conta nem dos processos nem dos prazos&#8221; \u2013 e adotar novas expectativas, renunciando certas m\u00e9tricas ou valores. Frederico contou que, no caso de Siqueira Campos, a estrutura da prefeitura foi concedida para as emissoras e o que ajudou foi o interesse, timing e disponibilidade de quatro emissoras: Band, Globo, Massa (SBT) e RCI (Pai Eterno). &#8220;Isso deve ser replic\u00e1vel em muitos outros casos. O valor por entrante foi muito mais econ\u00f4mico&#8221;, apontou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, Emerson Alexandre Fonseca Costa, gerente de projetos regulat\u00f3rios no Grupo RBS, cita ainda o caso de Espumoso (RS). Ali, o primeiro passo foi definir emissoras interessadas para viabilizar o processo e, ent\u00e3o, firmar acordos entre elas, a prefeitura e os fornecedores. A partir da\u00ed, tudo se deu praticamente em tempo recorde: a ideia do compartilhamento surgiu em junho deste ano, a primeira reuni\u00e3o com a prefeitura ocorreu em 2 de julho, a instala\u00e7\u00e3o do poste foi feita em 30 de julho e a dos transmissores em 5 de agosto e, ent\u00e3o, a opera\u00e7\u00e3o entrou em funcionamento em 18 de agosto \u2013 o processo todo levou cerca de 50 dias. &#8220;Entre nossos pontos altos, est\u00e3o a divis\u00e3o de custos, que gerou uma economia de 50%, e nosso trabalho em parceria.&#8221;, pontuou Costa. E ele completa, concordando com a fala anterior de Bertoldo: &#8220;N\u00f3s n\u00e3o somos concorrentes na \u00e1rea t\u00e9cnica. Nossa miss\u00e3o, na verdade, \u00e9 proporcionar um ambiente onde as emissoras, sim, possam brigar e concorrer na programa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: TelaViva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Abert (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Emissoras de R\u00e1dio e Televis\u00e3o)&hellip;<\/p>\n<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/radiodifusores-buscam-apoio-das-prefeituras-para-digitalizar-o-brasil-profundo\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10843,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":{"0":"post-10842","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10842\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sertsc.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}